Tá difícil controlar a molecada?
Algumas sugestões para colocar a casa em ordem:
Abominável Walter das Neves
O antropólogo Walter Neves, do LEEH (Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos do IB-USP) e do ICED (Instituto Comportamento, Evolução e Direito), dentre outras siglas pouco conhecidas, acaba de ser homenageado, de acordo com a Folha. Veja a matéria abaixo:
Urubu pré-histórico gigante habitou MG
Fóssil de animal da Era Glacial achado em Lagoa Santa é de espécie nova, batizada em homenagem a antropólogo da USP
Ave carniceira pode ter se extingüido por escassez de alimento, após os grandes mamíferos terem sumido também das Américas
CLAUDIO ANGELO-EDITOR DE CIÊNCIA
Tem gente que morre e vira nome de praça. O antropólogo mineiro Walter Alves Neves, por enquanto, não teve essa honra. Em compensação, aos 51 anos de idade já virou nome de urubu. Mais precisamente, de um urubu extinto.
Antes que você ache que é pouca coisa, saiba que o Pleistovultur nevesi, ou “urubu pleistocênico de Neves”, não era um urubu qualquer. Com cerca de 2,5 metros de uma ponta da asa à outra, tinha quase o tamanho de um condor-dos-andes, a maior ave de rapina existente. Deixava no chinelo o urubu-rei, hoje o maior representante do grupo no Brasil.
Esse carniceiro avantajado planava sobre os céus de Minas Gerais durante a Era do Gelo, há mais de 10 mil anos. Provavelmente disputava com os próprios condores (que também existiram por aqui) e com outros abutres as carcaças de mastodontes, preguiças-gigantes e demais grandes mamíferos que pastavam na América do Sul naquele Período, também chamado Pleistoceno.
A descoberta do Pleistovultur, relatada na última edição do periódico científico argentino “Ameghiniana”, fornece uma janela preciosa para o entendimento da ecologia sul-americana na pré-história.
E ela só foi possível porque Neves doou um fóssil do animal, achado por seu aluno Alex Hubbe numa caverna em Lagoa Santa (MG), a um especialista em aves fósseis.
“É um único osso da perna, mas é mais do que suficiente para descrever um gênero novo”, diz o paleontólogo Herculano Alvarenga, diretor do Museu de História Natural de Taubaté (interior paulista) e um dos principais -e poucos- estudiosos de aves extintas do mundo. Ele é o autor principal do artigo científico que apresenta a nova espécie, e da homenagem dúbia ao colega, professor da USP.
“Quero ver só a cara do Walter Neves quando souber que usei o nome dele num urubu”, diverte-se. “Não duvido que até goste”, afirma.
“Melhor se fosse uma arara, um papagaio, até um periquito estava de bom tamanho. Mas não, tinha de ser justo um paleourubu”, ri Neves, que há duas décadas revira as cavernas de Lagoa Santa, em Minas Gerais, atrás de vestígios de homens pré-históricos, possíveis repastos do Pleistovultur.
“O que é emocionante mesmo é saber que existem espécies novas que ainda podem ser encontradas em Lagoa Santa. Jamais achei que isso pudesse acontecer. E jamais achei que alguém pudesse descrever uma espécie nova em minha homenagem”, continua. “Já posso morrer tranqüilo.”Passado rico
A crise para esses animais começou no final do Pleistoceno, por uma razão simples: com a extinção da megafauna (os grandes mamíferos), por razões ainda controversas, os abutres começaram a ficar sem carniça. Esse é um dos motivos pelos quais os abutres estão declinando hoje na África.
“O que a gente vê claramente é que havia uma diversidade muito maior no passado”, afirma a ornitóloga da USP Elizabeth Höfling, também autora do trabalho.
Alvarenga confirma que a diversidade de espécies de urubu nas Américas era muito maior na pré-história, do mesmo jeito que hoje o continente com o maior número de espécies de abutre é a África.
O mesmo artigo científico que descreve o P. nevesi também identifica um possível gênero novo sul-americano, representado mais uma vez por um único osso da perna, encontrado numa caverna em Morro do Chapéu, Bahia. “Como ele estava quebrado, em mau estado, não quis dar nome [à espécie]“, diz o pesquisador.
Juntos, os dois achados dobram a diversidade de urubus pré-históricos na América do Sul. Até agora haviam sido descritos dois gêneros extintos, que conviveram no Pleistoceno com os cinco gêneros atuais.
Fonky… Fronckwi… Ah, quem se importa com nomes?
Num novo esforço para aumentar os page-views deste blog, publicamos abaixo os ganhadores do concurso de bunda mais bonita do mundo, ocorrido ontem em Paris. Mostrando o que é que a gaúcha tem, a vencedora é a Melanie Fronckowiak (ganha um beijo dela quem conseguir pronunciar seu sobrenome), de Pelotas. O cidadão ao lado é um francês também de nome estranho (Saiba Mombote… É sério!!!), que ganhou a versão masculina – e que só está aqui porque nossos consultores de marketing disseram que a gente é muito machista.
Superação
O mau jornalismo que o sr. Clóvis Rossi pratica na Folha de São Paulo hoje atingiu nível desesperador. Veja o artigo abaixo. Nele, o CR leva o incauto leitor a acreditar que as verbas liberadas pelos governos dos Estados de São Paulo e de Minas Gerais são de socorro aos bancos, iguais aos que o FED liberou nos EUA para os bancos estadunidenses em situação pré-falimentar. Na verdade, os governos estaduais daqui estão liberando recursos para os bancos reemprestarem ao consumidor, principalmente na compra de automóveis. Esse dinheiro não tem objetivo de salvar banco algum, mas de ressuscitar o consumo (de veículos, principalmente) e evitar demissões, queda na atividade econômica e, não menos importante, queda na arrecadação (lembre-se que a maior parte de um carro é imposto).
Dinheiro, sim; controles, não
O velho sábio que habitava esta Folha ficava indignado com os freqüentes pedidos de “papai, mande dinheiro”, como ele designava os apelos do empresariado para que o governo os socorresse nos momentos de dificuldade (e, a bem da verdade, até nos momentos de facilidade).
Não tivesse morrido, estaria estupefato ante a quantidade de “filhos” que pedem dinheiro a “papai-Estado”. E mais ainda ante a facilidade com que o Estado abre os cofres, de que dão prova, apenas a mais recente, os governadores José Serra e Aécio Neves.
O pior é que os “filhos” (no caso, os bancos) não se arrependem nem um tiquinho da overdose de ativos tóxicos que ingeriram e os levaram ao coma (e ao apelo a “papai”).
Ao contrário. Comunicado do Instituto de Finanças Internacionais, que reúne cerca de 350 dos maiores bancos do mundo, louva os pacotes oficiais de auxílio ao setor , mas afirma, em seguida, que tais pacotes “não devem dar margem a um papel mais amplo e permanente do setor público no sistema financeiro internacional”.
Tampouco querem uma regulação que lhes impeça de beber demais, porque “ameaçaria as perspectivas de reativar o crescimento da produção e dos empregos, ao estender ineficiências nos mercados globais”.
É uma desfaçatez fora do normal, porque deixa de lado que foi o excesso de desregulação -e não o excesso de regulação- que causou a presente “ineficiência” (quase colapso) dos mercados globais.
A propósito, meu cardiologista -na verdade o médico da família, o napolitano Giuseppe Dioguardi- perguntava se depois de tanta doação de dinheiro público os governos ainda teriam coragem de negar dinheiro para a saúde, como fazem sistematicamente.
Ah, Beppe, santa ingenuidade. Esse “filho”, a saúde, não financia campanhas eleitorais.











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