Otário ou malandro?
Os milhares de leitores desse humilde noticioso cibernético já devem ter notado uma certa má vontade de nosso corpo editorial com o Clóvis Rossi, colunista da Folha. O problema é que o sujeito não pára de escrever bobagens, e nossos editores ficam revoltados, é impossível impedi-los de fazer o seu trabalho (que, a propósito, nem remunerado é). Hoje, ele reproduz quase que integralmente o ponto de vista do Fábio Barbosa em sua coluna abaixo reproduzida para explicar a posição dos bancos quanto à crise. Barbosa é presidente do Santander/Real e da FEBRABAN, logo não há personagem mais enviesada para falar deste assunto: é óbvio que ele iria aliviar o lado dos banqueiros. Mas CR parece não se atinar para esse pequeno detalhe e faz das palavras de Fábio as suas, o que só dá margem a duas interpretações:
1)Ou ele é um otário, que não percebe que o presidente da FEBRABAN jamais emitiria uma opinião prejudicial aos bancos – então deve ser demitido porque o leitor não deve ser informado por otários;
2)Ou ele é um malandro, e está escrevendo a soldo de interesses dos banqueiros – então deve ser demitido porque o leitor não deve ser informado por malandros.
Na verdade, o buraco é beeeeeem mais embaixo. Muito embora os argumentos do Fábio Barbosa estejam corretos, eles são apenas parte da verdade. É preciso acrescentar que, dentre outros motivos da escassez de crédito, que:
1)O que o BaCen quer é que os bancos direcionem fatia maior para o crédito do que para outros ativos, como títulos públicos;
2)O brasileiro é um péssimo poupador, e o momento é de estimular a poupança pública, não o consumismo fútil, como fez o presidente Luís Inácio TV de Plasma da Silva;
3)O sistema de crédito brasileiro precisa de urgente reforma para acabar com o paternalismo aos endividados, um dos grandes entraves ao crescimento do crédito;
4)É preciso investir em educação financeira de qualidade, para que o crédito possa crescer de forma sustentável; e
5)É preciso desarmar os desincentivos ao crédito (ex.:a sobretaxa do IOF) instalados recentemente.
Viu, Clóvis, como tem coisa importante para falar?
Segue abaixo o texto do CR, com os trechos entre aspas grifados, para facilitar a vida do leitor:
Os bancos e o boi no pasto
Fabio Barbosa, presidente do Grupo Santander no Brasil e presidente também da Federação Brasileira de Bancos, é um dos raros líderes (empresariais ou políticos) que se sente compelido a prestar contas quando cobrado.
Foi cobrado pelo presidente Lula na semana passada (de brincadeira, segundo Barbosa), cobrança que reproduzi neste espaço. Prestou contas, que repasso ao leitor, como é devido, em resumo: “Os governantes, analistas, banqueiros, industriais e jornalistas ainda estão tentando entender o que se passa nessa inédita crise.
Não espere que eu, ou alguém isoladamente, tenha a resposta“. “A realidade é que o crédito não circula no mercado internacional e, portanto, as empresas e os bancos brasileiros não têm mais acesso a vários mecanismos que vinham sendo utilizados. (…) Com a impossibilidade de se financiarem no mercado internacional, as empresas buscaram financiamento em reais, e -claro- não há como atender a essa nova demanda, além da já existente. Algumas empresas não encontram o crédito que desejam, e daí vem a sensação de paralisação.
A notar, que muitos bancos também se financiavam no mercado internacional e, portanto, não podem fazer seus repasses aqui“.
“Vale notar que o crédito para pessoa física, com a exceção de financiamento de automóveis, continua normal. Baseado em levantamento (informal) feito junto a grandes bancos, entendo que a carteira de crédito total de outubro fechará acima dos volumes recordes de setembro, o que é muito diferente do que acontece mundo afora“.
“Como indiquei acima, o processo que estamos vivendo é ímpar. De nada adianta simplificarmos o problema, sugerindo que se trata de má vontade deste ou daquele setor.
Não caiamos na armadilha de voltarmos à época da busca do “boi no pasto”, que, a propósito, não demonstrou maior efetividade.“
Uma resposta
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[...] publica hoje uma entrevista com o presidente da FEBRABAN, que o Clóvis Rossi tanto admira (vide esse post). Não vou comentá-la integralmente para não cansar o leitor (para os assinantes, ela está [...]