Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Uma coisa fácil e outras difíceis

Publicado em Just for fun por Raul Marinho em 31 Outubro, 2008

Uma coisa fácil:

Montar um A-380

Outras difíceis:

-Você conseguir ser atendido pelo 0800 da cia. aérea que vai te vender a passagem para usufruir do A-380

-O avião sair no horário

-A comida de bordo estar comível…

Post quântico

Publicado em Atualidades, Ensaios de minha lavra, Just for fun por Raul Marinho em 31 Outubro, 2008

Mente quântica, empresa quântica, espiritualidade quântica… Coloque a palavra “quântico” no Google e veja você mesmo os resultados: hoje são 2.430mil (e contando). A Física Quântica virou moda, e como ninguém sabe exatamente do que se trata (mas todo mundo intui que é algo muito sofisticado), qualquer coisa a ela associada vende bem. Inclusive esse que é um dos piores livros de todos os tempos, “O Segredo”, um lixo de auto-ajuda que nada mais é do que o “pensamento positivo” revisitado.

A tese central desse livro é a tal da “Lei da Atração”, ou seja: se você quer muito uma coisa, o “universo irá conspirar a seu favor”. Isso quer dizer que, se você quiser levar a Giselle Bündchen para a cama, é só ficar mentalizando ela cair no seu papinho e pronto – o que é uma total estupidez, já que milhares de pessoas deverão estar mentalizando a mesma coisa, e ela só poderá ir para a cama com uma destas. Mas o legal mesmo é como é que se “prova” a tal Lei: pela Física Quântica, é óbvio!

Existe um negócio em Física Quântica chamado “Princípio da Incerteza de Heisenberg”, que diz que o ato de observar interfere na coisa observada. Daí, a moçada da auto-ajuda deduziu que você, observador, interfere no que você observa somente por observar, e então… Pronto! É só observar com eficiência (!?) que você atrai a coisa observada para você. Legal, né? Só que não tem nada a ver com Física Quântica.

Na verdade, o que a Física Quântica diz é que não se pode medir posição e velocidade de uma partícula ao mesmo tempo, pois o ato do observador interfere na medição, mas de uma maneira bem menos sutil do que parece à primeira vista. O problema é que, para se medir posição e velocidade, o observador tem que “agarrar” a coisa observada, ele interfere MESMO, não é só ficar olhando de longe. Não tem nada de mágico, esotérico nessa história, mas vai falar isso para quem quer acreditar no sobrenatural…

Seguro saúde & informações assimétricas

Publicado em Ensaios de minha lavra, Evolução & comportamento por Raul Marinho em 31 Outubro, 2008

Há cerca de 2 anos, publiquei um artigo sobre o mercado de seguro saúde e as informações assimétricas num site da área de seguros, mas não há Google que me faça achá-lo para republicar aqui. De qualquer maneira, o texto orginal ainda está no HD do meu notebook, e segue anexo:

Vende mais porque é mais fresquinho ou é mais fresquinho porque vende mais?

Porque determinados tipos de seguros se tornaram cronicamente inviáveis

Há alguns anos, uma famosa marca de biscoitos lançou uma genial campanha publicitária em que alegava que seus produtos eram mais fresquinhos porque vendiam tanto que não dava tempo de envelhecer na prateleira – e que eles só vendiam tanto porque eram os mais fresquinhos da praça, num raciocínio circular incrível. Se há racionalidade neste argumento eu não sei, mas o fato é que a campanha foi um sucesso na época, tanto é que eu utilizarei este bordão para explicar neste artigo porque algumas modalidades de seguros simplesmente não conseguem se sustentar, numa lógica exatamente inversa à da campanha.

Algumas modalidades do mercado securitário, como os seguros-saúde individuais, estão deixando de ser comercializados por muitas empresas atualmente. Especialistas na área alegam que estes são produtos sujeitos a muitas fraudes que inviabilizam sua operação. Não que isto seja uma inverdade, mas a lógica econômica por trás do problema é um pouco mais elaborada: trata-se de uma aplicação direta de uma teoria tão genial quanto o bordão publicitário do título – só que, neste caso, absolutamente racional. Na verdade, esta teoria é tão genial que foi contemplada com um Prêmio Nobel de Economia: em 2001, três economistas dividiram os louros da academia sobre o tema “Informações Assimétricas”, que explica porque eventos dessa natureza acontecem.

O mercado de seguros é caracterizado por uma elevada assimetria de informações entre segurado e seguradora, ou seja: a companhia de seguros jamais tem como saber todas as informações que gostaria (ou deveria) sobre seu cliente. Assim, a seguradora tem que levar em conta informações indiretas para avaliar se vale a pena ou não assumir determinados riscos. Sabendo disso, a melhor estratégia para a seguradora é pensar como o segurado pensa e, desta forma, avaliar sua decisão sobre a conveniência em tomar o risco envolvido no negócio. Vejamos como essa teoria explica o problema dos contratos de seguro-saúde individuais.

Por uma série de razões – baixa escala, altos custos operacionais, excessivo número de fraudes etc -, este tipo de seguro acaba tendo um preço excessivamente alto já em um primeiro momento. Por ser muito caro, uma grande parte dos segurados que se dispõem a pagar esse preço deverá ser consciente de que sua saúde seja especialmente frágil, já que seriam estes os clientes que aceitariam pagar valores maiores. Em um segundo momento, o fato dos primeiros clientes serem de uma amostra de pessoas com saúde pior que a média faz com que os preços fiquem ainda maiores, o que, por sua vez, teria o efeito de atrair segurados ainda mais conscientes de sua má condição de saúde. O que acaba acontecendo no longo prazo é que isso gera uma espiral de altos preços e baixa qualidade dos segurados até um ponto em que somente os piores clientes se disporiam a pagar os elevados preços de um seguro-saúde individual. No fim das contas, não é interessante para a seguradora assumir este risco mesmo que por prêmios elevadíssimos, e o negócio se inviabiliza.

Para reverter a situação, a única forma é oferecer um produto a preços razoáveis, o que atrairia um conjunto de segurados mais próximo da média da população, ou seja: pessoas que, em sua maioria, estariam de boa fé e com uma saúde dentro da normalidade. Mas o brasileiro médio tem uma renda muito baixa, os mecanismos legais para o combate à fraude são ineficientes, os custos operacionais (principalmente os tributários) são elevadíssimos e, por isso, o negócio fica inviabilizado. Pelo menos, até quando as autoridades do setor continuarem ignorando a lógica do mercado de livre concorrência.

Truques de marketing que você não conhece

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 31 Outubro, 2008

Você sabe como é o dia-a-dia na Suécia? Se você fosse um dos leitores dos posts da Sandra Paulsen, regularmente publicados no blog do Noblat, saberia. O de hoje fala dos truques que algumas lojas e supermercados de lá utilizam que ninguém conhece em Pindorama. Vale a pena ser lido:

Ética da sociedade de consumo

Além da publicidade e da propaganda, normalmente utilizadas, são conhecidas outras táticas menos explícitas das quais o comércio, algumas vezes, lança mão para atrair clientes: a famosa «boa aparência» exigida na contratação de vendedores, por exemplo, é um clássico. Meninas e meninos bonitos atrás do balcão ajudariam a aumentar as vendas.

Só que algumas recentes chamadas em jornais locais, sobre as estratégias de certas empresas para atrair consumidores, vêm-me deixando de cabelos em pé. Parece que a baixa conjuntura e as ameaças de recessão econômica estão fazendo o comércio varejista de Estocolmo se desesperar.

Primeiro, uma notícia de que os portadores do cartão da rede de supermercados Ica recebem ofertas especialmente para eles, preparadas de acordo com as compras feitas com o cartão. Ou seja, aqueles que compram batatas fritas, sabão em pó e comida para gatos recebem ofertas pessoais específicas relacionadas a esses produtos. As compras feitas pelos consumidores são registradas e estudadas, para dar origem a ofertas sob medida. A repercussão da notícia ainda não é clara. Enquanto uns sentem que, por fim, receberão ofertas interessantes que poderão ser aproveitadas, outros acham que esse tipo de propaganda constitui invasão de privacidade.

Depois, uma nota a respeito de lojas que empregam pessoas especialmente para fingir que compram e para circular com suas sacolas cheias de produtos, como forma de propaganda. São clientes de mentirinha, que se comportam como consumidores vorazes, para provocar o interesse de outros compradores e aumentar as vendas. Estabelecimentos do comércio de Estocolmo recrutam atores para esse papel de falsos clientes, os quais, entre outras atribuições, também distribuem elogios a clientes de verdade que experimentam peças nos provadores das lojas.

Agora, a última das novidades vem também dos supermercados Ica. A cadeia ficou com uma fama negativa no ano passado, por vários casos de adulteração das datas de validade da carne moída à venda. Houve punições, mudanças nos procedimentos, e a história está praticamente esquecida. Só que agora o Ica estaria testando um novo método para aumentar seus ganhos: «perfumar» artificialmente as áreas onde se vendem frutas e verduras. Com o cheirinho artificial de manga, banana ou pêssego fresco, «fabricado» sinteticamente e devidamente espalhado por um ventilador que fica embaixo da prateleira de frutas de uma das suas lojas em Malmö, o Ica espera atiçar os fregueses a comprar mais.

Eu me pergunto se sou só eu a ficar de queixo caído. Até que ponto o comércio pode chegar para aumentar suas vendas? Não bastam as táticas para estimular a compra por impulso, os chocolates no caixa, os produtos mais necessários estrategicamente colocados para que as pessoas tenham que passear a loja inteira até encontrá-los, e outras coisas assim?

Quando me assusto muito com o consumismo e as técnicas para estimulá-lo, tento pensar no argumento freqüentemente utilizado pelos admiradores incondicionais do Estado de Bem Estar sueco: aqui as coisas ruins se sabem; em outros lugares, se escondem.

Tomara que seja assim mesmo.

¡Viva el bolivarianismo, viva el Socialismo!

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 31 Outubro, 2008

Fim do capitalismo??? OK, e o que entra no lugar? Imbecis como esse tal de Hugo Chavez estão espumando com a crise financeira atual, mas proposta que é bom mesmo, nenhuma. Veja a nota abaixo, da EFE, e ganhe uma viagem a Caracas se você encontrar alguma proposta efetiva de solução para o problema atual:

Hugo Chávez aproveita crise financeira para pregar fim do capitalismo

Caracas, 30 out (EFE).- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, voltou hoje a pregar o fim do capitalismo, aproveitando a crise financeira mundial para criar “uma nova institucionalidade internacional”.

A reiteração foi feita durante um ato especial dedicado à integração social dos incapacitados, transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão.

Na terça-feira, Chávez dissera que “é preciso enterrar” o capitalismo, durante reunião com o presidente do Equador, Rafael Correa, na cidade equatoriana de Puyo.

“Ao mundo impuseram a ditadura do dólar e do sistema do Fundo Monetário Internacional (FMI), ou seja, dos Estados Unidos. Esse sistema colapsou. É preciso criar um novo sistema”, manifestou hoje o presidente da Venezuela -que, no entanto, tem nos EUA o comprador de 80% de seu principal produtor de exportação, o petróleo.

Chávez insistiu que “os países do Sul devem pressionar para alcançar esse objetivo (criar um novo sistema)”, após rejeitar que a solução à crise seja reorganizar e revitalizar o sistema capitalista.

“A crise é de tal magnitude que dificilmente não será afetado todo o planeta. A crise segue se expandindo, mas a Venezuela seguirá marchando”, concluiu.