Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Cavalo selado

Publicado em Ensaios de minha lavra por Raul Marinho em 13 Outubro, 2008

Hoje me lembrei do meu ex-chefe no Citi (na verdade, ex-chefe do chefe do chefe) Ademir Pautasso Nunes. Era cheio de marra, tipo mandar um decalque do Snoopy num memorando (genial a propósito). Ele era do QCC, se não me engano, e uma espécie de reserva-moral do banco, como alguns outros executivos lendários que eu conheci no Citibank. Lembrei dele pela frase/conselho: “se o cavalo passar selado na tua frente, monte o mais rápido possível”, que todo mundo que se deu bem hoje na bolsa seguiu (a alta de hoje na BOVESPA foi de quase 15%).

Altruísmo recíproco

Publicado em Ensaios de minha lavra, Evolução & comportamento por Raul Marinho em 13 Outubro, 2008

No artigo abaixo, de 2002, eu falo pela 1a vez em “altruísmo recíproco”, que seria o centro do livro que eu iria lançar três anos depois (“Prática na Teoria”, ed.Saraiva, 2005):

Uma mão lava a outra

Segundo a Teoria da Evolução de Darwin, todas as espécies que hoje existem no planeta são a evolução de alguma outra. Admitindo que o Homo Sapiens surgiu segundo este princípio evolutivo, e sabendo mais recentemente que cerca de 99,5% de nossos genes são idênticos ao de um chimpanzé, podemos concluir que existe uma grande relação de parentesco entre os homens e os símios. A despeito de toda a polêmica envolvendo o criacionismo, a Teoria da Evolução de Darwin é hoje tão aceita cientificamente quanto a Teoria da Gravitação Universal. Seria muito mais agradável (moralmente, pelo menos) se fôssemos uma espécie especialmente concebida por Deus no último dia da Criação. Mas, infelizmente, as evidências científicas indicam que não foi isto que aconteceu.

A semelhança morfológica entre nós e os símios é a mais óbvia: basta olhar para um chimpanzé ou um gorila para verificar como eles se parecem conosco, especialmente quando jovens. Mas existem outras semelhanças ainda mais interessantes. Os chimpanzés e os bonomos (um outro símio que era tido como um chimpanzé anão até 1929) são os únicos animais que se reconhecem no espelho além do homem (que, a propósito, só adquire esta capacidade aos 18 meses). Os bonomos, por sua vez, compartilham conosco a prática do sexo frente a frente (todos os outros têm relações sexuais com a fêmea de costas para o macho), muito provavelmente para que os parceiros possam se reconhecer mutuamente.

Quanto ao comportamento, existe uma experiência que ilustra muito bem a inteligência (se é que se pode descrevê-la nestes termos) dos símios: o “teste do ahá!”. O pesquisador pendura uma fruta no teto de uma sala e espalha caixas e um cabo de vassoura pelo chão. O chimpanzé, ao entrar na sala, fica observando a fruta e os objetos, até que ele empilha as caixas e, ahá!, alcança a fruta com o cabo de vassoura. O uso de ferramentas também pode ser observado entre chimpanzé selvagens, que utilizam varas para “pescar” formigas e cupins e pedras para quebrar castanhas mais duras. Os chimpanzés também se assemelham aos humanos em nosso lado mais obscuro, preparando emboscadas para matar outros chimpanzés de bandos concorrentes. Frente a todas estas evidências, fica muito difícil não reconhecer de onde viemos.

Não seria de espantar, portanto, que alguns animais também jogassem de acordo com o previsto na Teoria dos Jogos. Uma habilidade fundamental para isto é a capacidade de reconhecimento individual. A reciprocidade carrega implicitamente a capacidade de saber quem é quem: se eu não sei quem é que habitualmente coopera e quem deserta, como poderei retribuir um favor ou punir uma deserção? Justamente por isto é que os animais que se comportam desta forma são aqueles que possuem cérebros mais desenvolvidos, com especial destaque para os símios (chimpanzés, bonomos, orangotangos e gorilas) e algumas espécies de golfinhos e morcegos.

Os chimpanzés são animais sociais que vivem em grandes grupos, de cerca de 150 indivíduos (aproximadamente, o mesmo número de humanos nos grupos de caçadores-coletores ancestrais ou de uma moderna comunidade religiosa ou mesmo de uma companhia do Exército). Os gorilas, ao contrário, vivem em grupos bem menores, de cerca de uma dúzia. Entre os gorilas, o líder geralmente é o macho maior e mais forte, já que a liderança é obtida pela força bruta. Os chimpanzés, entretanto, por mais forte que sejam, jamais conseguiriam conquistar o poder pela força: sempre haveria opositores em número suficiente para deter uma tentativa de supremacia por estes meios. A habilidade política em formar coalizões é fundamental entre os chimpanzés.

Um bando de chimpanzés geralmente conta com três indivíduos dominantes: os machos alfa, beta e gama. Estes três indivíduos decidem como se dá a divisão do alimento, que espaço físico deverá ser ocupado e tendem a monopolizar os favores sexuais das fêmeas. O macho alfa tende a hostilizar o macho beta (seu concorrente direto), formando coalizões com o macho gama. As similaridades entre as práticas dos chimpanzés e dos humanos são inúmeras, mas nada se assemelha ao que acontece nas “eleições da selva”.

Quando o macho alfa perde a posição e o seu “cargo” fica vago, geralmente acontece uma disputa pelo poder entre os machos beta e gama. Neste processo, estes machos beligerantes chegam a subir nas árvores com os frutos mais apreciados e jogam as frutas para os companheiros no chão. Uma vez eleito, o macho alfa jamais repete tal gentileza. Impossível deixar de reconhecer a similaridade com nossas próprias práticas, seja nas eleições seja dentro das próprias empresas.

A observação do comportamento animal levou à criação de uma nova ciência: a Etologia. Assim como a Teoria dos Jogos, a Etologia também é controversa e foi redimida do obscurantismo por um prêmio Nobel (no caso, o de Medicina, em 1973). Ao se analisar o comportamento humano pelas bases da Etologia com as ferramentas da Teoria dos Jogos, nós nos deparamos com novas formas de analisar o altruísmo. O velho “eu coço suas costas, você coça as minhas” passa a ter um novo significado.

Eu penso que você pensa que eu penso…

Publicado em Ensaios de minha lavra, Evolução & comportamento por Raul Marinho em 13 Outubro, 2008

Este é o 3o artigo que eu publiquei na revista Você S/A. Modéstia à parte, é um bom artigo sobre Teoria dos Jogos:

Eu penso que você pensa que eu penso…

Imagine uma cidadezinha com somente dois postos de gasolina: Posto Alfa e Posto Beta. Ambos vendem gasolina de qualidade idêntica por R$ 2,00 o litro e a compram da distribuidora por R$ 1,50. Supondo que os consumidores agem motivados somente por preço, se o Posto Alfa baixar o preço para R$ 1,99, ele vai conquistar a totalidade do mercado local imediatamente. Iniciada a guerra de preços, o Posto Beta baixaria para R$ 1,98, o que motivaria o Posto Alfa a remarcar seu preço para baixo – e assim sucessivamente, até ambos atingirem um preço próximo de R$ 1,50 onde o lucro tende a zero. Trata-se do mesmo raciocínio do já comentado Dilema do Prisioneiro aplicado à Economia: “Se eu pensar sobre como você pensa sobre minha forma de pensar, eu não devo cooperar”. Eu pressuponho que o outro vai me julgar não cooperativo e antecipo a minha deserção, pois se o outro pensar assim, certamente vai desertar também. Esta é a base do pensamento do matemático John Nash Jr. em seu trabalho sobre a Teoria dos Jogos (“O Problema da Barganha”, Princeton – 1950).

O mesmo acontece com outro jogo com um Dilema do Prisioneiro embutido: o “Leilão de Dólar”. Como no Dilema do Lobo (leia o artigo anterior ), o Leilão de Dólar é jogado entre participantes que não têm possibilidade de comunicação entre si. Uma nota de um dólar é leiloada. Quem der o maior lance leva a nota. A diferença é que o segundo colocado também tem que pagar o lance – mas nada leva em troca. Por exemplo: se o vencedor ganhar com um lance de US$ 0,20, ele tem um lucro de US$ 0,80. O segundo colocado que deu um lance de US$ 0,19 somente paga os US$ 0,19 e fim. A banca então recebe US$ 0,39 e paga US$ 1,00. Iniciado o jogo, o primeiro participante tem a perspectiva de alto lucro – coisa que desperta a cobiça de outro participante. Rompida a barreira de US$ 0,50, a banca começa a lucrar e, a partir de US$ 1,00, o jogo fica totalmente irracional. Martin Shubik, o eminente matemático de Yale e estudioso de Teoria dos Jogos que concebeu o jogo em 1971 relatou que, em média, a nota era arrematada por US$3,40.

O Leilão de Dólar é um jogo com aplicações práticas inimagináveis. Por exemplo: as emissoras de TV o utilizam para dimensionar o tamanho dos trechos nas exibições de filmes. Fazendo com que o primeiro trecho seja maior, elas induzem o telespectador a entrar no Leilão e, uma vez dentro, os trechos ficam cada vez menores – e os intervalos mais longos. Mas, neste momento, o telespectador tem muita dificuldade em desistir: ele já passou do “limite de US$1,00”. Raciocínio semelhante faz com que pessoas se mantenham anos a fio em empregos ruins ou casamentos falidos. O mantra “eu investi demais para desistir” é repetido à exaustão. Dilema parecido foi enfrentado na construção do Concorde, quando França e Inglaterra viram que o projeto era inviável economicamente, mas mesmo assim decidiram ir até o fim – justamente por já terem investido demais. No fim das contas, o Leilão de Dólar também trata de cooperação e deserção e o resultado final é tão catastrófico quanto o que acontece no Dilema do Prisioneiro.

Acontece que tanto o Dilema do Prisioneiro ou do Lobo quanto o Leilão de Dólar são jogos únicos, de uma só rodada. Se os jogadores jogarem várias partidas em seqüência, a deserção tende a diminuir, até desaparecer. Um Leilão de Dólar jogado várias vezes tenderia a um acordo entre os jogadores para a divisão dos lucros: um dos jogadores daria um lance de US$ 0,01 que não seria superado e dividiriam-se os US$ 0,99 de lucro. O mesmo aconteceria no exemplo dos postos de gasolina – daí a grande dificuldade em evitar a formação de cartéis. A cooperação em jogos com muitas rodadas é um ótimo negócio. Existe uma grande tendência das pessoas construírem sua reputação cooperativa e, com isto, obterem vantagens reais (financeiras ou não) com isto.

A reputação cooperativa talvez seja o maior bem que uma pessoa possa ter. Não por acaso, a maior parte das pessoas tende a reforçar esta característica. Você se lembra da questão do engarrafamento abordada no último artigo? Quanto mais provável a pessoa ser reconhecida, menor a chance dela tomar uma atitude não cooperativa (no caso, andar pelo acostamento). Mesmo sabendo que nunca será identificada, a maior parte das pessoas tende a não se mostrar desertora (ou não cooperativa). Afinal de contas, o risco de manchar a reputação é gigantesco; e as conseqüências, desastrosas. O oposto disto está acontecendo no Oriente Médio, aonde atitudes cada vez menos cooperativas de parte a parte vêm sendo praticadas. São dois jogadores praticando a estratégia “deserte sempre”: tanto palestinos quanto judeus jamais agem cooperativamente um com o outro e o resultado é um impasse muito difícil de ser superado.

Se a estratégia “deserte sempre” não é a melhor, também a “coopere sempre” é perigosa. O cooperador incondicional fica excessivamente vulnerável a oportunistas e seu desempenho tende a ser medíocre. Observando o comportamento de animais sociais, como chimpanzés, golfinhos e morcegos hematófagos, percebeu-se que a estratégia mais comum era a mesma praticada pelos humanos: o “olho-por-olho”. Reagindo cooperativamente a uma cooperação e punindo a deserção com outra deserção, o “olho-por-olho” tende a ter um bom desempenho. Todavia, um jogador de “olho por olho” perde para um jogador de “deserte sempre”. A única solução para anular o jogador de “deserte sempre” é o ostracismo: excluir o desertor contumaz do jogo.

No próximo artigo exploraremos outras estratégias de jogo e suas correlações com o observado no comportamento animal. A interação entre a Teoria dos Jogos e a Etologia (ramo da Zoologia que estuda o comportamento animal) ocorreu em ambas as direções: a Etologia fornecendo novos modelos para a Teoria dos Jogos tanto quanto a Teoria dos Jogos ajudando a entender a Etologia. E ambas disciplinas ajudando a nos entender.

Você é o que você dirige

Publicado em Atualidades, Ensaios de minha lavra por Raul Marinho em 13 Outubro, 2008

(Essa imagem foi extraída do excelente blog português “Menos um carro”)

Há exatamente um ano, deixei de usar automóvel no dia-a-dia. Hoje em dia, uso uma combinação de metrô e táxi para fazer tudo o que preciso, e as vantagens são muito significativas. Mas não é para todo mundo (infelizmente), muito embora seja possível tomar atitudes que tornem essa decisão possível (felizmente). Morar perto de uma estação do metrô e de um supermercado são algumas das coisas que ajudam uma pessoa a deixar o carro de lado. Aguns highlights sobre a questão:

Custos:

Some o que você gasta com combustível, material de consumo (óleos, filtros, pneus, etc.), manutenção (periódica e esporádica), seguro, IPVA, multas (de rodízio, inclusive), batidas, depredações, estacionamentos/zona azul, pedágios, juros (se o carro for financiado), custo de oportunidade (se o dinheiro para comprar o carro for seu), depreciação, etc. em um ano.  Divida o número obtido por 12, e anote o valor num papel no último dia de um determinado mês. No primeiro dia do mês seguinte, deixe seu carro parado na garagem, e esqueça que ele existe por 30 dias, anotando tudo o que você gastou com táxis, metrôs, ônibus etc. Compare os números: se o número anotado não for superior a pelo menos o dobro do valor gasto no mês-teste, eu sou a macaca Chita.

Segurança:

Pedestre não sofre seqüestro-relâmpago. Não há registro de motoristas bêbados abalroando vagões do metrô. Assaltantes de semáforos podem assaltar passageiros de táxis, mas eles preferem motoristas particulares (a proporção é de mais de 100 para 1). Embora sempre haja o risco de ser atropelado (risco esse que um motorista também corre a partir do momento em que estaciona seu veículo), quem não anda de carro tem muito menos chances de sofrer qualquer tipo de violência.

Conforto:

Certamente, o automóvel é muito mais confortável que um trem do metrô, com seus bancos duros, eventualmente superlotados e barulhentos. Mas experimente andar de metrô fora dos horários de pico, com um iPod no ouvido, e um livro ou revista para distrair (joguinho de celular também serve). Tirando os dias mais quentes em que o ar-condicionado realmente faz falta, a diminuição no nível de conforto acaba sendo compensada pelo menor tempo gasto nas viagens, e o resultado é, geralmente, mais conforto total.

Status:

Aí não tem jeito, nada substitui o carro. Mas… Bem, para começo de conversa, os carros de hoje têm os vidros escuros, e ninguém sabe que quem está dirigindo aquela Mercedes é você – sem contar que quase ninguém vê você chegando onde quer que seja. Além disso, se você precisa de uma estrela de três pontas no capô para se sentir bem, talvez seja melhor pagar um bom psicanalista para melhorar sua auto-estima (e dinheiro para a análise não será um problema se você deixar o carro na garagem).

Sem contar que:

1)Você está colaborando com a diminuição das emissões de carbono;

2)Você está ajudando a melhorar o trânsito;

3)Você está se exercitando enquanto caminha até o metrô;

4)É divertido ver as pessoas mais esquisitas do planeta, que frequentam o metrô; e

5)É um exercício de humildade, muito recomendável para quem “se acha”;

A madroeira da sorte

Publicado em Atualidades, Ensaios de minha lavra, Uncategorized por Raul Marinho em 13 Outubro, 2008

Ontem foi comemorado o dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, “padroeira do Brasil” – evidentemente que uma santa não pode ser padroeira (que é uma palavra que nem deveria admitir forma feminina), mas tudo bem, é isso o que todo mundo diz. Pormenores da língua à parte, o fato é que, diferente de Santo Antônio, São José, São Paulo ou São Pedro, santos que representam pessoas supostamente reais, ou mesmo a própria Santa Maria, que teria sido a mãe de Jesus, Nossa Senhora Aparecida nunca foi uma pessoa de carne e osso, mas sim algo que apareceu. A Igreja entende que a santa mais brasileira de todas é, na realidade, uma escultura com poderes sobrenaturais, que vem propiciando a ocorrência de milagres desde o momento em que foi encontrada por acaso, no leito de um rio, por pescadores. De acordo com a história oficial, houve três ocorrências inusitadas: 1a)A rede de pesca traz o corpo de uma imagem de Nossa Senhora, sem a cabeça; 2a)Ao se jogar a rede novamente, encontra-se a cabeça respectiva; e 3a)Os pescadores passam a ter uma sorte absolutamente incomum na pesca. Sem questionamentos sobre a verdade histórica deste relato, nem ao significado religioso da fé mais legitimamente brasileira, é inegável a correlação entre a santa e a sorte.

Em primeiro lugar, achá-la foi um capricho do acaso – e achar as duas partes da imagem em dois lances de rede diferentes torna o evento ainda mais improvável (algo como jogar uma moeda para cima e sair cara 20 vezes seguidas). Se havia alguma dúvida de que a suposta coincidência seria, em verdade, um milagre, depois que os pescadores relatam a súbita melhora no desempenho na pesca (um espécie de multiplicação dos peixes com uma pequena diferença de contexto) , não há mais nenhuma dúvida de que se trata de um fenîomeno sobrenatural. Os milagres subsequentes – eu fui à Basílica em Aparecida-SP e vi o número deles – comprovam o poder do ícone, daí a sua popularidade. A wikipedia (vide link acima) relata dois milagres a ela atribuídos: o da mulher cega e o do fazendeiro (ambos os links não apresentam maiores detalhes), e a devoção à santa vem sendo incentivada por vários papas, incuindo o Papa João Paulo II, o Papa Paulo VI e o Papa Pio XII (e como papas são infalíveis de acordo com o dogma da Igreja, então a santa é milagrosa mesmo – pelo menos para os católicos).

Se o entendimento da Igreja Católica estiver correto, além de “padroeira do Brasil”, Nossa Senhora Aparecida também seria um ícone da sorte, do improvável, dos fatos que ocorrem apesar de serem materialmente impossíveis de ocorrer: a “madroeira da sorte”, enfim. E como um dos objetivos deste blog é discutir a incerteza, ela fica, também, nomeada madroeira desta humilde publicação.

And the Oscar goes to…

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 13 Outubro, 2008

Acabou de sair o “Prêmio Nobel em Economia” deste ano (vide nota abaixo). Interessante que, normalmente, o Nobel de Economia vai para uma “escola” ou abordagem importante para a Economia (Ciência Econômica), ex.: Teoria dos Jogos (1994), Informações Assimétricas (2001), Economia Comportamental (2002), etc. Dessa vez, o Paul Krugman levou o prêmio por sua posição política anti-Bush e anti-liberalismo, e mais por sua postura como jornalista econômico do New York Times do que pela sua pesquisa acadêmica em si (embora seja um acadêmico brilhante). Na verdade, esse prêmio foi de anti-Economia, no sentido em que o PK sempre remou contra a maré do pensamento econômico do mainstream.

Bem, mas o fato é que o “Prêmio Nobel de Economia” não é um Prêmio Nobel de verdade… Quando o industrial Alfred Nobel institui a premiação e seus respectivos fundos (cada prêmio custa 10 milhões de coroas suecas, atualmente), a Economia não estava em seus planos. Só muito tempo depois incluíram a premiação para a Economia, com o nome oficial de “Prêmio do Banco Central da Suécia em Memória de Alfred Nobel para Trabalhos em Economia”, custeada pelo BC sueco, e anunciado na mesma época dos prêmios legítimos. Como o nome da premiação era muito longa, resolveram abreviá-la para “Prêmio do Banco Central da Suécia em Memória de Alfred Nobel para Trabalhos em Economia”, denominação que a imprensa engoliu “com chumbada e tudo”, fazendo com que os desavisados achem que se trata de um Nobel de verdade. É o velho guerreiro Abelardo Barbosa, o Chacrinha, e sua célebre frase “eu vim para confundir, não para explicar”.

ESTOCOLMO (Reuters) – O economista norte-americano Paul Krugman ganhou o Nobel de Economia de 2008 por fazer uma análise conjunta de padrões comerciais e de onde as atividades econômicas acontecem, informou o comitê do prêmio na segunda-feira.

A Academia Real Sueca de Ciências informou que o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (1,4 milhão de dólares) foi para Krugman devido à formulação de uma teoria que responde as questões que motivam a urbanização mundial.

“Ele integrou campos de pesquisa anteriormente díspares sobre comércio internacional e geografia econômica”, disse o comitê em um comunicado.

Krugman é professor de Economia e Relações Internacionais da Universidade Princeton, nos Estados Unidos.

Krugman é crítico da administração Bush por conta de políticas que ele afirma terem gerado a atual crise financeira. Krugman escreve colunas para o New York Times e há tempos figurava entre os favoritos para conquistar um Nobel.

Falando durante uma teleconferência com jornalistas, Krugman disse que foi pego de surpresa pela notícia.

“Eu corri para tomar um banho para que eu pudesse participar da conferência. Eu liguei para a minha esposa e para meus pais. Ainda nem consegui tomar uma xícara de café”, disse o economista.