Queimem, hereges!!!
Deu no Financial Times (aqui, a tradução publicada no UOL Mídia Global:
Oriente Médio está em júbilo com os infortúnios de Wall Street
Lionel Barber e Roula Khalaf
Em DamascoO “crash” em Wall Street provocou uma alegria indisfarçável entre os inimigos dos Estados Unidos no Oriente Médio, que alegam que a crise financeira global é outro sinal de que os Estados Unidos perderam seu status de superpotência.
De Damasco a Teerã, uma coalizão livre de autoridades públicas e clérigos vê o colapso financeiro como sendo resultado de um castigo divino e da cara política externa do governo Bush na região, principalmente a invasão ao Iraque.
O aiatolá Ahmad Jannati, um influente linha-dura no Irã, descreveu a crise como uma punição.
“Assim como os americanos ficam contentes em ver problemas no Irã, nos estamos felizes em ver a economia americana abalada e os problemas se estendendo à Europa”, ele disse recentemente. “Eles estão vendo os resultados de seus atos odiosos e Deus os está punindo.”
Um alto funcionário sírio disse que os problemas mostram que “os Estados Unidos não são mais uma superpotência. O país é apenas um grande poder.”
Os linhas-duras estão sob a impressão de que a crise não afetará diretamente suas economias, e presumem que o aparente fracasso das políticas liberais confirma a visão deles de que o Estado deve continuar exercendo um papel central.
“Este é um novo capítulo”, disse um alto funcionário sírio que destacou a necessidade de controle do banco central pelo Estado e apoio aos produtores rurais, assim como um salário mínimo para os trabalhadores. “Isto provará que nossa visão das reformas é correta. Nós temos uma economia de mercado social.”
Mas a afirmação do poder do Estado na Síria está minando aqueles que, apesar de não apoiarem os Estados Unidos, estão pressionando por uma transformação de uma economia centralizada para um sistema mais liberal.
Abdullah Dardari, o vice-primeiro-ministro responsável pela economia, disse que o trabalho da equipe econômica no governo se tornará mais difícil.
Falando ao “Financial Times” após ter recebido uma recepção hostil no figurativo Parlamento sírio, ele reconheceu: “Está ainda mais fácil dizer ‘veja aquelas políticas neoliberais e o que fizeram, e para os grupos neoliberais na Síria e o que desejam fazer’”.
Mesmo antes da crise financeira, uma visão popular na região era a de que os Estados Unidos estavam em um declínio terminal. Ela cresceu após a desastrada ocupação do Iraque, o fracasso em conter as ambições nucleares do Irã e em proteger os aliados pró-Ocidente no Líbano diante do Hizbollah, o grupo militante xiita.
O crash em Wall Street levou à teoria questionável de que a turbulência global deriva do custo imenso de financiar a guerra no Iraque, em vez de um fracasso regulatório coletivo em lidar com o excesso de risco assumido pelo setor bancário.
Dardari disse: “Eu não sei qual é a causa, mas o financiamento da guerra e o fardo da dívida pública (americana) tem um papel”.
No geral, a suposição na Síria e em outros países na região é de que o Oriente Médio está relativamente isolado de uma recessão puxada pelos Estados Unidos.
Mas a maioria dos mercados de ações no Oriente Médio sofreu enormemente nas últimas semanas, com a exceção do Irã, onde o mercado, que atrai pouco investimento estrangeiro, apresenta alta de 20% neste ano.
Mesmo se os sistemas bancários em países isolados como o Irã e a Síria escaparem da turbulência financeira, suas economias sofrerão com uma recessão nos mercados mundiais.
Teerã já está cambaleando com a queda nos preços do petróleo. Na Síria, a economia poderia ser afetada pela queda nas remessas de dinheiro dos trabalhadores que atuam nos países do Golfo e com uma queda nos investimentos.
QCC* do B
Você trabalhou no Citibank,N.A. (o da estrela de quatro pontas, não essa fajutagem de gurdachuvinha que está aí agora) entre 1989 e 1994, como eu (Raul Marinho Gregorin)?
Você foi da 1a. (e única) turma de “sub-trainees” de 1989, como o Paulo Ishimura?
Você trabalhou no Commercial Banking Division, cujo chefe era o Mário Márcio Ramalho?
Você foi da turma de trainees selecionada em 1990 que fez o “Entenring the Citi” em 1991, como o Paulo Duailibi?
Você trabalhou na “plataforma” das filiais (uma espécie de corporate bank dos pobres) como RM/relationship manager (como o Mauro Cunha), especialista de serviços (como o Joaquim Augusto Alves), head da filial (como o Sérgio Porto), como secretária (como a Concenila), como estagiário (como o Fabinho, que hoje deve ser o Dr. Fábio)?
Você se chama Marco Aurélio Rossi, Jorge Longo Helu, Fábio Mentone, Henrique Sperandio, Mônica Becker Mau, Beatriz Adler, Cid Morato da Conceição, Edmilson (ex-SMO do Commercial), Fábio Amorosino, Flora Portellada, Cosmo Falco, Rubens de Almeida Prado, Silvinha de Porangaba, Alexandre Grupenmacher, Milton Penna Júnior, José Bianchini, Nilton Bomfim, Márcio Magliozzi, Alberto Duarte, Ademir Pautasso Nunes, Victor Hugo Homrich, Adriana (que depois se casou com o Victor), Roseli Kostiuk (e o marido Zeca, da mesa – tomara que ainda seja), Sylas Ribeiro, Kika Capocchi Ribeiro, Maria Inês Bulcão, Daniela Araújo, Aristéia Amaral, Geraldo (do Citi Campinas), João Carlos Haddad (Casso), Rita (minha colega do Commercial no Entering), Eduardo Alkalay, Marcelo Karvelis, “Lobinho”, Manuel Carlos Celestino Blessa, ou Ricardo Tony?
A seguir, algumas fotos da época (daqueles diplominhas que ficama em cima das nossas mesas, lembram?):
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Um abração,
Raul
*QCC é o Quarter Century Club, o clube de quem tem mais de 25 anos de trabalho no Citibank
A pior profissão do mundo
De todas as profissões que lidam com a incerteza – ou melhor: que tem de tomar decisões baseadas em premissas futuras, ou projeções –, são os profissionais de crédito que estão em pior situação. Eu já fiz isso, e conheço bastante gente que vive de decidir sobre crédito, assumindo o risco de que um pagamento futuro eventualmente devido possa prejudicar o emprestador (ou seja: ele). Eu também já fui gerente de contas do corporate do Citibank, e propunha limites de crédito que, se não fossem honrados, poderiam me prejudicar na carreira de alguma forma (não necessariamente com demissão, a perda de bônus também conta – e muito). Eu já vi gente rodar no banco devido a empréstimos problemáticos, e todo mundo que trabalha na área de crédito bancário um dia vê a mesma cena, do cara guardando os porta-retratos com diplominhas em miniatura numa caixa. É uma cena triste, muito triste.
O grande problema é que quem decide não tem a menor idéia sobre o futuro. A única coisa sensata que se pode fazer é ter certeza de que há como retaliar se o cliente não pagar, e é aí que entram, em maior ou menor grau, o valor e a qualidade das garantias. Mas uma parcela do exposure (como diz ‘o mercado’) sempre é clean (idem): risco puro, 100% certo no balanço – e ter a responsabilidade em saber se o devedor vai pagar isso é que é decisivo para distinguir um executivo de crédito júnior de um sênior (é por isso que quanto menor a liquidez da garantia, maior a necessidade de seniores na decisão). Também quanto mais sênior, mais o sujeito “coloca o seu na reta” – ou seja: se der merd@, é esse o cara que vai tomar tomatada, ovada, e depois ainda vai ficar com o abacaxi na mão, descascando enquanto os que não fizeram besteira ganham o bônus de fim de ano. Ser membro de comitê de crédito – ou, pior, correr o risco de perder o dinheiro do próprio bolso – é uma profissão pior que a do (possivelmente) veterinário da foto acima. Esse, pelo menos, consegue ficar limpo depois de um bom banho.










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