Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

MSN, a anti-tecnologia

Publicado em Atualidades, Just for fun por Raul Marinho em 11 Outubro, 2008

Já tive MSN e correios instatâneos do gênero. Hoje, graças a Deus não tenho mais – pelo menos desse vício eu me curei. Não existe nada mais improdutivo do que você estar, por exemplo, escrevendo um post no seu blog, e de repente pular uma janelinha na sua tela escrito “Fulano acabou de entrar”. Só o plu-plun (onomatopéia do messenger) já te desconcentra, mas quando um amigo aparece para conversar, a coisa degringola de vez. Quer falar comigo? Me mande um e-mail, me dê um telefonema, mande uma carta, envie um bilhete pelo pombo-correio, qualquer coisa menos instant messengers.

A propósito dessa irritante modalidade de telecomunicação, segue abaixo um artigo que eu recebi ontem por e-mail, atribuído ao Jabor (acho que não é dele):

Não estou falando desta vez dos emoticons insuportáveis que transformaram a leitura em um jogo de decodificação, mas as declarações de amor, saudades, empolgação traduzidas através do nick.
Sempre odiei o que a maioria das pessoas fazem com os seus MSN’s.
Assim seus amigos aparecem de forma ordenada e você não tem que ficar clicando em cima dos mesmos pra descobrir que ‘Vendo Abadá do Chiclete e Ivete’ é na verdade Tiago Carvalho, ou ‘Ainda te amo Pedro Henrique’ é o MSN de Marcela Cordeiro.
O espaço ‘nome’ foi criado pela Microsoft para que você digite O NOME que lhe foi dado no batismo.
‘A-M-I-G-A-S o fim de semana foi perfeito!!!’ acabou de entrar. Essa com certeza, assim como as amigas piriguetes (perigosas), terminou o namoro e está encalhadona. Uma semana antes estava com o nick ‘O fim de semana promete’. Quer mostrar pro ex e pros peguetes (perigosos) que tem vida própria, mas a única coisa que fez no fim de semana foi encher o rabo de Balalaika, Baikal e Velho Barreiro e beijar umas bocas repetidas. O pior é que você conhece o casal e está no meio desse ‘tiroteio’, já que o ex dela é também conhecido seu, entra com o nick ‘Hoje tem mais balada!’, tentando impressionar seus amigos e amigas e as novas presas de sua mira, de que sua vida está mais do que movimentada, além de tentar fazer raiva na ex.
Mas a melhor parte da brincadeira é que normalmente o nick diz muito sobre o estado de espírito e perfil da pessoa. Portanto, toda vez que você encontrar um nick desses por aí, pare para analisar que você já saberá tudo sobre a pessoa…
‘Quando Deus te desenhou ele tava namorando’ acabou de entrar. Essa pessoa provavelmente não tem nenhuma criatividade, gosto musical e interesse por cultura. Só ouve o que está na moda e mais tocada nas paradas de sucesso. Normalmente coloca trechos como ‘Diga que valeuuu’ ou ‘O Asa Arreia’ na época do carnaval.
‘Polly em NY’ acabou de entrar. Essa com certeza quer que todos saibam que ela está em uma viagem bacana. Tanto que em breve colocará uma foto da 5ª Avenida no Orkut com a legenda ‘Eu em Nova York’. Por que ninguém bota no Orkut foto de uma viagem feita a Praia-Grande – SP ?
‘Maria Paula ocupada prá c**’ acabou de entrar. Se está ocupada prá c**, por que entrou cara-pálida? Sempre que vir uma pessoa dessas entrar, puxe papo só pra resenhar; ela não vai resistir à janelinha azul piscando na telinha e vai mandar o trabalho pro espaço. Com certeza.
‘Por que a vida faz isso comigo?’ acabou de entrar. Quando essa pessoa entrar bloqueie imediatamente. Está depressiva porque tomou um pé na bunda e irá te chamar pra ficar falando sobre o ex.
‘Marizinha no banho’ acabou de entrar. Essa não consegue mais desgrudar do MSN. Até quando vai beber água troca seu nick para ‘Marizinha bebendo água’. Ganhou do pai um laptop pra usar enquanto estiver no banheiro, mas nunca tem coragem de colocar o nick ‘Marizinha matriculando o moleque na natação’.
‘Paulão, quero você acima de tudo’ acabou de entrar. Se ama compre um apartamento e vá morar com ele. Uma dica: Mulher adora disputar com as amigas. Quanto mais você mostrar que o tal do Paulão é tudo de bom, maiores são as chances de você ter o olho furado pelas sua amigas piriguetes (perigosas).
‘Galinha que persegue pato morre afogada’ acabou de entrar. Essa ai tomou um zig e está doida pra dar uma coça na piriguete que tá dando em cima do seu ex. Quando está de bem com a vida, costuma usar outros nicks-provérbios de Dalai Lama, Lair de Souza e cia.
‘ < . ººº< . ººº< / @ || e $ $ ! || |-| @ >ªªª . >ªªª >’ acabou de entrar. Essa aí acha que seu nome é o Código da Vinci pronto a ser decodificado. Cuidado ao conversar: ela pode dizer ‘q vc eh mtu déixxx, q gosta di vc mtuXXX, ti mandá um bjuXX’.
‘Me pegue pelos cabelos, sinta meu cheiro, me jogue pelo ar, me leve pro seu banheiro…’ acabou de entrar. Sempre usa um provérbio, trecho de música ou nick sedutores. Adora usar trechos de funk ou pagode com duplo sentido. Está há 6 meses sem dar um tapa na macaca e está doida prá arrumar alguém pra fazer o servicinho.
‘VENDO ingressos para a Chopada, Camarote Vivo Festival de Verão, ABADÁ DO EVA, Bonfim Light, bate-volta da vaquejada de Serrinha e LP’ acabou de entrar. Essa pessoa está desesperada pra ganhar um dinheiro extra e acha que a janelinha de 200 x 115 pixels que sobe no meu computador é espaço publicitário.
Bom é isso, se quiserem escrever alguma mensagem, declaração ou qualquer coisa do tipo, tem o campo certo em opções ‘digitem uma mensagem pessoal para que seus contatos a vejam’ ou melhor, fica bem embaixo do campo do nome!’
‘Danny Bananinha’ acabou de entrar. Quer de qualquer jeito emplacar um apelido para si própria, mas todos insistem em lhe chamar de Melecão, sua alcunha de escola. Adora se comparar a celebridades gostosas, botar fotos tiradas por si mesma no espelho com os peitos saindo da blusa rosa. Quer ser famosa. Mas não chegará nem a figurante do Linha Direta.

Como as empresas serão conhecidas depois da crise

Publicado em Atualidades, Just for fun por Raul Marinho em 11 Outubro, 2008
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Queimem, hereges!!!

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 11 Outubro, 2008

Deu no Financial Times (aqui, a tradução publicada no UOL Mídia Global:

Oriente Médio está em júbilo com os infortúnios de Wall Street

Lionel Barber e Roula Khalaf
Em Damasco

O “crash” em Wall Street provocou uma alegria indisfarçável entre os inimigos dos Estados Unidos no Oriente Médio, que alegam que a crise financeira global é outro sinal de que os Estados Unidos perderam seu status de superpotência.

De Damasco a Teerã, uma coalizão livre de autoridades públicas e clérigos vê o colapso financeiro como sendo resultado de um castigo divino e da cara política externa do governo Bush na região, principalmente a invasão ao Iraque.

O aiatolá Ahmad Jannati, um influente linha-dura no Irã, descreveu a crise como uma punição.

“Assim como os americanos ficam contentes em ver problemas no Irã, nos estamos felizes em ver a economia americana abalada e os problemas se estendendo à Europa”, ele disse recentemente. “Eles estão vendo os resultados de seus atos odiosos e Deus os está punindo.”

Um alto funcionário sírio disse que os problemas mostram que “os Estados Unidos não são mais uma superpotência. O país é apenas um grande poder.”

Os linhas-duras estão sob a impressão de que a crise não afetará diretamente suas economias, e presumem que o aparente fracasso das políticas liberais confirma a visão deles de que o Estado deve continuar exercendo um papel central.

“Este é um novo capítulo”, disse um alto funcionário sírio que destacou a necessidade de controle do banco central pelo Estado e apoio aos produtores rurais, assim como um salário mínimo para os trabalhadores. “Isto provará que nossa visão das reformas é correta. Nós temos uma economia de mercado social.”

Mas a afirmação do poder do Estado na Síria está minando aqueles que, apesar de não apoiarem os Estados Unidos, estão pressionando por uma transformação de uma economia centralizada para um sistema mais liberal.

Abdullah Dardari, o vice-primeiro-ministro responsável pela economia, disse que o trabalho da equipe econômica no governo se tornará mais difícil.

Falando ao “Financial Times” após ter recebido uma recepção hostil no figurativo Parlamento sírio, ele reconheceu: “Está ainda mais fácil dizer ‘veja aquelas políticas neoliberais e o que fizeram, e para os grupos neoliberais na Síria e o que desejam fazer’”.

Mesmo antes da crise financeira, uma visão popular na região era a de que os Estados Unidos estavam em um declínio terminal. Ela cresceu após a desastrada ocupação do Iraque, o fracasso em conter as ambições nucleares do Irã e em proteger os aliados pró-Ocidente no Líbano diante do Hizbollah, o grupo militante xiita.

O crash em Wall Street levou à teoria questionável de que a turbulência global deriva do custo imenso de financiar a guerra no Iraque, em vez de um fracasso regulatório coletivo em lidar com o excesso de risco assumido pelo setor bancário.

Dardari disse: “Eu não sei qual é a causa, mas o financiamento da guerra e o fardo da dívida pública (americana) tem um papel”.

No geral, a suposição na Síria e em outros países na região é de que o Oriente Médio está relativamente isolado de uma recessão puxada pelos Estados Unidos.

Mas a maioria dos mercados de ações no Oriente Médio sofreu enormemente nas últimas semanas, com a exceção do Irã, onde o mercado, que atrai pouco investimento estrangeiro, apresenta alta de 20% neste ano.

Mesmo se os sistemas bancários em países isolados como o Irã e a Síria escaparem da turbulência financeira, suas economias sofrerão com uma recessão nos mercados mundiais.

Teerã já está cambaleando com a queda nos preços do petróleo. Na Síria, a economia poderia ser afetada pela queda nas remessas de dinheiro dos trabalhadores que atuam nos países do Golfo e com uma queda nos investimentos.

QCC* do B

Publicado em Uncategorized por Raul Marinho em 11 Outubro, 2008

Você trabalhou no Citibank,N.A. (o da estrela de quatro pontas, não essa fajutagem de gurdachuvinha que está aí agora) entre 1989 e 1994, como eu (Raul Marinho Gregorin)?

Você foi da 1a. (e única) turma de “sub-trainees” de 1989, como o Paulo Ishimura?

Você trabalhou no Commercial Banking Division, cujo chefe era o Mário Márcio Ramalho?

Você foi da turma de trainees selecionada em 1990 que fez o “Entenring the Citi” em 1991, como o Paulo Duailibi?

Você trabalhou na “plataforma” das filiais (uma espécie de corporate bank dos pobres) como RM/relationship manager (como o Mauro Cunha), especialista de serviços (como o Joaquim Augusto Alves), head da filial (como o Sérgio Porto), como secretária (como a Concenila), como estagiário (como o Fabinho, que hoje deve ser o Dr. Fábio)?

Você se chama Marco Aurélio Rossi, Jorge Longo Helu, Fábio Mentone, Henrique Sperandio, Mônica Becker Mau, Beatriz Adler, Cid Morato da Conceição, Edmilson (ex-SMO do Commercial), Fábio Amorosino, Flora Portellada, Cosmo Falco, Rubens de Almeida Prado, Silvinha de Porangaba, Alexandre Grupenmacher, Milton Penna Júnior, José Bianchini, Nilton Bomfim, Márcio Magliozzi, Alberto Duarte, Ademir Pautasso Nunes, Victor Hugo Homrich, Adriana (que depois se casou com o Victor), Roseli Kostiuk (e o marido Zeca, da mesa – tomara que ainda seja), Sylas Ribeiro, Kika Capocchi Ribeiro, Maria Inês Bulcão, Daniela Araújo, Aristéia Amaral, Geraldo (do Citi Campinas), João Carlos Haddad (Casso), Rita (minha colega do Commercial no Entering), Eduardo Alkalay, Marcelo Karvelis, “Lobinho”, Manuel Carlos Celestino Blessa, ou Ricardo Tony?

A seguir, algumas fotos da época (daqueles diplominhas que ficama em cima das nossas mesas, lembram?):

Se você se enquadra em uma dessas categorias e quer ser localizado, por favor responda a esse post com o seu endereço de e-mail ou com alguma outra forma de localização (ex.: perfil no Orkut/Facebook/LinkedIn/blog). Os meus e-mails estão à direita, no link “email-me”. Se conhecer alguém que ainda não respondeu, fale do post para essa pessoa. (E se não quiser aparecer publicamente, me mande um e-mail em privado, eu prometo sigilo absoluto).

Um abração,

Raul

*QCC é o Quarter Century Club, o clube de quem tem mais de 25 anos de trabalho no Citibank

A pior profissão do mundo

Publicado em Ensaios de minha lavra por Raul Marinho em 11 Outubro, 2008

De todas as profissões que lidam com a incerteza – ou melhor: que tem de tomar decisões baseadas em premissas futuras, ou projeções –, são os profissionais de crédito que estão em pior situação. Eu já fiz isso, e conheço bastante gente que vive de decidir sobre crédito, assumindo o risco de que um pagamento futuro eventualmente devido possa prejudicar o emprestador (ou seja: ele). Eu também já fui gerente de contas do corporate do Citibank, e propunha limites de crédito que, se não fossem honrados, poderiam me prejudicar na carreira de alguma forma (não necessariamente com demissão, a perda de bônus também conta – e muito). Eu já vi gente rodar no banco devido a empréstimos problemáticos, e todo mundo que trabalha na área de crédito bancário um dia vê a mesma cena, do cara guardando os porta-retratos com diplominhas em miniatura numa caixa. É uma cena triste, muito triste.

O grande problema é que quem decide não tem a menor idéia sobre o futuro. A única coisa sensata que se pode fazer é ter certeza de que há como retaliar se o cliente não pagar, e é aí que entram, em maior ou menor grau, o valor e a qualidade das garantias. Mas uma parcela do exposure (como diz ‘o mercado’) sempre é clean (idem): risco puro, 100% certo no balanço – e ter a responsabilidade em saber se o devedor vai pagar isso é que é decisivo para distinguir um executivo de crédito júnior de um sênior (é por isso que quanto menor a liquidez da garantia, maior a necessidade de seniores na decisão). Também quanto mais sênior, mais o sujeito “coloca o seu na reta” – ou seja: se der merd@, é esse o cara que vai tomar tomatada, ovada, e depois ainda vai ficar com o abacaxi na mão, descascando enquanto os que não fizeram besteira ganham o bônus de fim de ano. Ser membro de comitê de crédito – ou, pior, correr o risco de perder o dinheiro do próprio bolso – é uma profissão pior que a do (possivelmente) veterinário da foto acima. Esse, pelo menos, consegue ficar limpo depois de um bom banho.