Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Palestra no CIESP

Publicado em Atualidades, Ensaios de minha lavra, Palestras por Raul Marinho em 8 Outubro, 2008

Amanhã, 09/10, irei dar uma palestra na CIESP, com o Fernando Blanco, presidente da Coface.

Conheço o Fernando desde 2006, quando ele era o Diretor de Redes Colaborativas do Banco ABN-Amro/Real (na época pré-Santander): Ele cometeu o desatino de me contratar para falar de cooperação nas associações empresariais que a sua diretoria pretendia abordar. (Depois falo mais disso, por ora recomendo a leitura desse artigo, que resume a apresentação que fazia na época).

O fato é que eu e o Fernando estamos trabalhando há 4 meses na estruturação de um negócio que, atualmente, se chama Instituto do Crédito. Em resumo, trata-se de uma iniciativa de educação financeira voltada à melhoria do relacionamento empresa-banco (obviamente, pelo ponto de vista da empresa). A palestra de amanhã será a primeira de uma série de muitas (assim espero). O assunto é o que tratamos nesse artigo da administradores.com, e o ppt pode ser baixado aqui

Para entender o momento

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 8 Outubro, 2008

Se você quiser se informar de maneira rápida e eficaz, leia as charges dos jornais. Não perca seu tempo com jornalistas, eles só confundirão a sua cabeça. Abaixo, seguem as três charges publicadas hoje no Blog do Noblat:

Escalabilidade

Publicado em Ensaios de minha lavra por Raul Marinho em 8 Outubro, 2008

Para o pessoal da área de TI, que é quem mais usa esse termo, escalabilidade é isso. Mas aqui, essa palavra difícil de pronunciar terá um sentido um pouco diferente, pois vamos utilizá-la para entender escolhas profissionais (de trabalho).

Uma profissão altamente escalável é a de cantor popular, como pagode, axé, sertanejo etc. O grupo É o tchan! vendeu mais de 10 milhões de discos, fazendo com que Carla Perez, Cumpadi Washington, Jacaré e outros ficassem muito, muito ricos. Entretanto, a grande maioria dos cantores populares do país tem renda próxima de zero, quando não é negativa, já que esse pessoal muitas vezes paga a gravação de seus CDs com dinheiro do próprio bolso. Profissões escaláveis têm a característica de apresentar alta assimetria na renda: alguns poucos ganham muito, enquanto a maioria não ganha nada. Escritores de auto-ajuda, jogadores de futebol, atores de cinema, marketeiros políticos… Todas essas profissões são altamente escaláveis.

Prostitutas, acupunturistas, funcionários públicos, dentistas, e consultores que cobram por hora, por outro lado, são profissionais que exercem atividades não-escaláveis. Uma prostituta, por exemplo, só atende um cliente por vez (bem… às vezes mais que um, mas deixa pra lá), ela não tem como vender a 10 milhões de clientes, como o Cumpadi Washington. Profissões não-escaláveis são bem menos assimétricas em termos de renda: Se pegarmos os extremos da Odontologia, veremos que os dentistas do pelotão de elite (os 5% mais bem remunerados) ganham 10 ou 20 vezes mais que os da base da pirâmide, mas a diferença não é tão absurda como a dos jogadores de futebol.

Então, o que é melhor? Ser massagista ou ator? Tentar ser o novo Duda Mendonça ou prestar concurso para ser cartorário no Fórum? Na média, os massagistas e os cartorários se darão muito melhor que os atores e os publicitários; por outro lado, todos têm a chance de ser um novo Tom Cruise ou Ronaldinho. Como em tudo na vida, o caminho do meio é sempre o melhor. Quer ser músico? Ótimo! Estude música na USP, preste concurso para ser professor na mesma faculdade depois de formado, e siga tentando emplacar algum sucesso nas rádios. Não sei se você vai arrebentar de fazer sucesso (embora possa fazer), mas certamente não vai passar fome como a maioria dos músicos que tentam viver da profissão. O mesmo raciocínio é aplicável a profissões mais convencionais, como a advocacia.

Você pode ser um advogado não-escalável, fazendo advocacia de partido (onde o cliente paga uma quantia fixa por mês), ou cobrando por hora. Digamos que você cobre R$500/hora e trabalhe 10 horas/dia, 30 dias por mês: R$150mil/mês – sem dúvida, um ótimo salário. Seu custo fixo é de uns R$5mil, e a tributação uns 15-20% (digamos, 10% para “roubar para mais”): R$130mil/mês, ou R$1.560mil/ano, uma renda quase equivalente ao mítico UM MILHÃO DE DÓLARES no câmbio pré crise.  Um valor respeitável em qualquer lugar do mundo, ganhar US$1milhão ao ano é sinal de que o sujeito é muitíssimo bem remunerado e pertença à elite da elite da advocacia não-escalável. Mas para um advogado escalável, o céu é o limite. Existem, em todo o Brasil, ações tributárias bilionárias, com honorários de sucesso na casa das centenas de milhões de dólares ao ano. A propósito, não é só a área tributária que proporciona ganhos tão espetaculares, e praticamente todas as outras variantes da prática profissional do Direito também o são, o que diferencia é o modelo de negócios – e isso vale para outras profissões liberais. Na Medicina também existem alternativas mais ou menos escaláveis, ao gosto do freguês. Uma delas é lutar para ser O melhor, ou na pior das hipóteses estar empatado em primeiro lugar com mais alguém(ns). Se o Bill Gates tiver um infarto, ele não vai procurar o quinto cardiologista mais competente do mercado, só interessa o #1, ou o #2 se houver alguma dúvida se não seria ele, de fato, o primeiro da lista. Mesma coisa com o George Soros, os príncipes árabes (a maioria), os atores principais dos blockbusters, os atletas da NBA – por acaso, eles mesmos beneficiários de atividades escaláveis. No fim do dia, você vai ver uma fila na porta do Dr. Maravilha que dobra o quarteirão, composta basicamente por multimilionários dispostos a pagarem fortunas – no que deverão ter sucesso, btw.

Na verdade, a principal decisão econômica que se toma ao escolher uma profissão não é o curso nem a faculdade que se faz, mas a estratégia a ser adotada. Uma coisa é fazer Direito e se tornar servidor público, e outra, completamente diferente, é ser advogado trabalhista de estrelas do showbusiness.

Palestra na Symantec

Publicado em Palestras por Raul Marinho em 8 Outubro, 2008

Em 2007, fui convidado para dar uma palestra para executivos comerciais da Symantec, empresa estadunidense da área de TI, especializada em softwares anti-vírus. A palestra ocorreu porque o Vice-Presidente da Symantec para a América Latina é o meu amigo Wilson Grava, que conhece o meu trabalho e achou que seria um tema interessante para ser mostrado ao seu pessoal de vendas. E, de fato, foi. Na verdade, era para eu repeti-la nas demais filiais da empresa na América Latina, mas por uma série de motivos isso nunca ocorreu.

A apresentação em formato PDF, que pode ser baixada aqui, tem duas mini-apresentações subordinadas, uma sobre o “dilema dos prisioneiros”, e outra sobre o “chicken game”. Postá-las-ei em breve. Não deixe de ver também o vídeo sobre o “jogo do ultimato” (que já está no blog, nesse post).

Bobagem a quilo

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 8 Outubro, 2008

Clóvis Rossi, o czar da opinião da Folha (que eu leio religiosamente trodos os dias para dar umas risadas) publica hoje uma de suas maiores pérolas jornalísticas (e olhe que, em se tratando de CR, isso não é pouco). Reproduzo o texto abaixo e depois comento – e adianto que, hoje, estou sem nenhuma paciência com a mediocridade.

Começa a era da incerteza

MADRI – As falhas grosseiras que o mercado apresentou e as sucessivas intervenções dos governos levaram à suposição de que o liberalismo morreu ou está em coma e que o intervencionismo estatal está de volta com toda a força, certo?
Errado, escreve Daniel Innerarity, professor de filosofia da Universidade de Zaragoza, em artigo para o jornal “El País”.
“Se estivéssemos ante o final do neoliberalismo e o retorno das certezas social-democratas, talvez nos sentíssemos mais aliviados, mas não teríamos entendido que o que se acaba é outra coisa: uma determinada concepção de nosso saber acerca da realidade social e de nossa capacidade de decidir sobre ela”, escreve.
Conseqüência: “Agora, nos toca acostumarmo-nos à instabilidade e à incerteza, tanto no que diz respeito às predições dos economistas, ao comportamento do mercado ou ao exercício das lideranças políticas”, acrescenta o filósofo.
Fecha com: “Nosso principal desafio é a governança do risco, que não é a renúncia a regulá-lo nem a ilusão de que poderíamos eliminá-lo completamente”.
Desagradável, não é? Os seres humanos, com poucas exceções, preferimos as certezas, mesmo que sejam ilusórias. Os mercados ofereceram certezas absolutas, acompanhados pelo coro que lhes conferia características de semideuses ou de “Mestres do Universo”, para remeter a Tom Wolfe e a sua “Fogueira das Vaidades”.
Agora vem o papa Bento 16 e constata: “Vemos que, na queda dos grandes bancos, o dinheiro se desfaz e que todas essas coisas que parecem a única verdade são na realidade de segunda ordem”. Sorte do papa (e dos crentes), para quem “só a palavra de Deus é uma realidade sólida”.
Para todos os demais (e mesmo para os crentes que têm dinheiro nas Bolsas), resta administrar a instabilidade e a incerteza.

Comentários:

  • “Começa a era da incerteza”????? Como assim, começa? Nunca houve outra era que não fosse de incerteza, e se havia alguma ilusão de haver certezas, era apenas isso: ilusão.
  • Quem supôs que “o liberalismo morreu”, que “o capitalismo já era” e outras bobagens, foi ele: CR. Qualquer pessoa minimamente sensata vê que isso é um absurdo, uma vez que não há modelo alternativo (pelo menos, um que funcione).
  • “Agora, nos toca acostumarmo-nos à instabilidade e à incerteza, tanto no que diz respeito às predições dos economistas, ao comportamento do mercado ou ao exercício das lideranças políticas”. Pelo jeitão que o CR cita esse texto (do tal do Daniel Innerarity), presumo que ele o ache genial. Então, se ele acha esse texto genial, necessariamente ele me acha genial, pois penso assim há mais de 20 anos.
  • “Os seres humanos, com poucas exceções, preferimos as certezas, mesmo que sejam ilusórias.” Vixe, descobriu a roda!!! Todas as religiões do mundo estão fundamentadas nisso. Nossas incertezas sobre Deus e o que será de nós após a nossa morte é o que as move.
  • “Os mercados ofereceram certezas absolutas, acompanhados pelo coro que lhes conferia características de semideuses ou de ‘Mestres do Universo’, para remeter a Tom Wolfe e a sua ‘Fogueira das Vaidades’.” Só um jornalista medíocre como o CR para acreditar que os mercados oferecem certezas absolutas…
  • “Agora vem o papa Bento 16 e constata: ‘Vemos que, na queda dos grandes bancos, o dinheiro se desfaz e que todas essas coisas que parecem a única verdade são na realidade de segunda ordem’. Sorte do papa (e dos crentes), para quem ’só a palavra de Deus é uma realidade sólida’.” Essa foi no fígado. Citar o Papa como uma opinião sensata nesse momento e assunto é como pedir para a Luciana Gimenez opinar sobre Física quando da inauguração do acelerador de partículas sub-atômicas.
  • “Para todos os demais (e mesmo para os crentes que têm dinheiro nas Bolsas), resta administrar a instabilidade e a incerteza.” Nada como uma obviedade do tamanho de um elefante para “fechar com chave de ouro”!!!!

Mizinfio

Publicado em Atualidades, Just for fun por Raul Marinho em 8 Outubro, 2008

Nesses momentos de incerteza sobre o futuro, conversei com o Pai José, uma assumidade em futurologia.

Pai José me recomendou esse site, que eu acessei e achei genial.

Recomendo também.

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Uma oferta irrecusável

Publicado em Atualidades, Just for fun por Raul Marinho em 8 Outubro, 2008

A trilogia de “O Poderoso Chefão” é um dos únicos exemplos de filme melhor que o livro. Os 3 filmes são excelentes, mesmo que a parte III seja tida como de segunda linha. Não é, o problema é que as partes I e II são execepcionais, mas em termos absolutos ela é um excelente filme também.

Eu já os vi umas 50 vezes, a última há 3 semanas. Só para marcar os capítulos no meu livro, foram umas 30 vezes – meu 1o. livro, “Prática na Teoria”, tem um capítulo inteiro sobre “O poderoso chefão”, que utilizo para ilustrar o conceito de altruísmo recíproco, e para facilitar a vida do leitor, eu marquei os capítulos do DVD no texto. Agora, vou ver pela 51a. vez, pois acabou de ser lançada a caixa com a versão restaurada do diretor. Veja a diferença abaixo (antes e depois):

E para quem quiser ver uma palhinha dos novos comentários do diretor:

Comentários – Parte I

Comentários – Parte II

À venda nas melhores casa do ramo.